7 minutos na eternidade

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Época. William (“Bill”) Dudley Pelley, escritor e jornalista norte-americano, no início de maio de 1928, estava desde vários dias recolhido, com enorme estoque de provisões, na quietude de um bangalô de sua propriedade em Altadena, Califórnia, com a finalidade exclusiva de escrever um livro.

Cenário. A propriedade era próxima à Pasadena, perdida no sopé das Montanhas de Sierra Madre. O quarto de dormir, localizado nos fundos da casa, era perfeitamente ventilado com duas imensas janelas voltadas para as montanhas.

Ocupação. O trabalho intelectual prosseguia normalmente e ele entrava na reta final para completá-lo. Sentia-se mentalmente disposto e fisicamente em forma, escrevendo de 6 a 8 horas por dia, gozando de recreação plena ao ar livre. Ali, estava sozinho, com exceção da sua cadela, Laska. Uma noite, de um dia igual aos outros, ele se recolheu ao leito lá pelas 10 horas, e começou a ler notável estudo sobre Etnologia, no caso dele, uma leitura característica de passatempo.

Momento. Próximo da meia-noite, Pelley se sentiu sonolento. Colocou o livro de lado, retirou os óculos e apagou as lâmpadas de cabeceira, seguindo a rotina de centenas de outras noites semelhantes já desfrutadas na tranqüilidade daquele lugar ermo. A cadela Laska, enrolada no piso, dormia aos pés da cama, o seu local favorito.

Hábitos. Pelley não se recordou de nenhum sonho específico da primeira metade daquela noite, nem de qualquer distúrbio físico ou insônia. Não tinha o hábito de tomar bebidas alcoólicas, sendo tão-somente, por cerca de duas décadas, um fumante médio de cachimbo, objeto que trazia constantemente junto à sua máquina de escrever.

Grito. No entanto, entre 3 e 4 horas da madrugada - horário este verificado posteriormente – um grito agudo, interno e medonho pareceu-lhe irromper abruptamente através da garganta comandada por sua consciência sonolenta. Com horror, desesperado, ele gemeu para si mesmo: - “Estou morrendo! Estou morrendo!”

Sensação. O que aconteceu de fato, naquele instante, ele nunca soube. Algum instinto misterioso liquidou impiedosamente o seu sono, despertando-o com aquela admoestação de desespero. Certamente algo muito sério lhe acontecera - algo que jamais lhe ocorrera em toda a sua vida - uma sensação física que ele, escritor por vocação, conseguiu descrever com todas as tintas, como sendo uma combinação de ataque cardíaco e apoplexia.

Começo. Era uma sensação física. Não era um sonho. Ele se sentia inteiramente desperto e lúcido. Sabia que alguma coisa acontecera com o seu coração ou com a sua cabeça - ou talvez com ambos - durante o sono. A sua personalidade consciente estava em luta contra forças sobre as quais não mantinha nenhum controle.

Lembranças. Recordava que se deitara no leito, na escuridão do quarto de dormir, no bangalô da Califórnia, quando o fenômeno começara e ele fora tragado pelas profundezas de um espaço azul e frio, com a sensação de mergulho sem fundo como se respirasse éter de anestesia. Sons estranhos estridulavam em seus ouvidos. Repentinamente, no cérebro curiosamente aos trambolhões, um pensamento predominava: - “Então é isso a morte?”

Laska. No intervalo entre o ataque agudo e o fim de seu mergulho, ele esteve tão suficiente mente dono dos seus sentidos físicos que chegara a pensar: - “Meu corpo morto vai ficar aí, nesta casa isolada, por muitos dias antes que alguém descubra, a menos que Laska acorde e busque socorro.”

Voz. Em um certo instante, uma voz calma, clara e amiga disse junto ao seu ouvido: - “Calma, meu velho. Não se preocupe. Você está bem. Estamos aqui para socorrê-lo.”

Consciexes. Alguém o socorria - na verdade duas consciexes - uma com a destra em sua nuca, suportando o seu peso, e outra com o braço passado debaixo dos seus joelhos. Ele continuava fisicamente fraco, incapaz de abrir até os olhos, mesmo porque uma luz opalina, fulgurante, se difundia de modo singular, por toda parte, no lugar para onde o levaram.

Diálogo. Quando Pelley finalmente, dando conta de si, verificou que havia renascido sobre lindo estrado, tipo laje de mármore, e repousava nu, perante 2 jovens de corpos vigorosos e aparência amigável, vestidos com uniformes que pareciam tecidos em linho branco. Ambos se divertiam discretamente com a sua confusão e seu óbvio vexame. “Como é, sente-se melhor?” - O mais alto dos 2 perguntou. Ele respondeu: - “Sim. Onde estou?”

Pergunta. Eles trocaram olhares e apenas responderam que não tentasse ver nada nos próximos 7 minutos. Pelley sentiu que a sua pergunta não podia ser mais tola. Ele sabia o que lhe acontecera. Atravessara todas as sensações da morte e surgira em um lugar fascinante onde jamais estivera.

Êxtase. Usufruía em seu novo estado, tanto mental quanto fisicamente, de um êxtase inexprimível. Sabia que não estava sonhando. Sentia-se vivo entre muitas outras personalidades intensamente vivas. Levava consigo alguma espécie de corpo pessoal para aquele novo ambiente, através do qual estava cônscio da beleza e do encanto ao derredor que superava de muito todas as descrições já impressas em papel pelo Homem. Percebera que conhecia intimamente aquelas duas criaturas. E suas experiências extrafísicas se desenvolveram.

Experiências. Ao lado havia uma piscina na qual lhe recomendaram que se divertisse. Ao nadar, naquilo que julgou ser água límpida, pareceu-lhe que a própria água lhe dava uma roupa ao corpo desnudo. Outras consciexes surgiram. Ele mantinha a impressão de que havia conhecido cada qual daqueles seres encantadores, em alguma oportunidade anterior, pessoalmente, de modo íntimo. Todo terror e estranheza de antes haviam desaparecido completamente.

Retorno. O término da sua experiência foi tão singular quanto o seu começo. Ele se sentiu dominado por inesperado rodamoinho de vapor azulado, surgido, não soube de onde, e alguma coisa estalou em seu corpo. Instantaneamente se sentiu em seu corpo humano outra vez, sentado na cama, plenamente desperto. Notava apenas certa exaustão física através do tórax e do abdome que perdurou por alguns minutos. Então, gritou algo: – “Isso não foi um sonho!”

Cadela. Sua voz despertou a cadela que ainda dormia.

Artigo. De início, o jornalista-escritor relutou muito em escrever e publicar a sua profunda experiência pessoal pela qual poderia ser tomado à conta de excêntrico ou maníaco. Ele jamais se ocupara de quaisquer pesquisas parapsíquicas. O fato poderia até mesmo afetar a sua consolidada reputação literária. Contudo, os editores da The American Magazine (A Revista Americana), de New York, venceram-lhe a resistência e o trabalho foi redigido, ainda que sob protesto, e veio a público, como primeiro artigo no corpo da revista, em março de 1929.

Reação. A tiragem da publicação atingia, àquela época, cerca de 2 milhões e 225 mil exemplares. Os anunciantes calculavam que cada exemplar sendo lido, no mínimo, por 4 pessoas, dava uma soma em torno de 10 milhões de leitores que tiveram acesso à narrativa, sendo que a maioria chegara mesmo a lê-la. Tal fato foi constatado, em seguida, pela devastadora reação postal. Milhares e milhares de missivistas, homens e mulheres, queriam mais esclarecimentos sobre a sua extraordinária experiência.

Cartas. Durante 6 meses o escritor qualificou, analisou, classificou e respondeu à pletora de cartas. Foi impressionante constatar que apenas 24 missivistas não acreditaram que Pelley estives se sadio ou normal. Centenas e centenas de leitores afirmavam que haviam tido experiências similares, experimentando a condição da consciência fora do corpo humano. No entanto, a maioria não tinha a coragem de expor as ocorrências nem mesmo aos seus parentes mais chegados, temendo serem tachados de insanos cerebrais.

Constatação. Pelley constatou que a maioria dos missivistas tivera experiências que foram substancialmente idênticas à sua nos detalhes básicos. A revista recebeu 144 sermões endereçados ao público por líderes religiosos sobre a experiência em questão. O artigo foi transcrito em um sem-número de periódicos religiosos e teológicos. Somente um pastor, entre todos, o acusou de estar com “a alma vendida ao diabo,” porque em seu artigo nada mencionara sobre Jesus Cristo.

Pioneiro. Tornando-se célebre, de súbito, com o artigo, Pelley tinha consciência de haver, de certo modo estranho, adquirido sentidos novos ou prodigiosas faculdades perceptivas. Ele que era um materialista declarado, agora se sentia qual um pioneiro na pesquisa da consciência humana. Ainda naquele ano de 1929, escreveu o pequeno volume: “Sete Minutos na Eternidade com as suas Conseqüências”.

Bozzano. O professor Ernesto Bozzano, o incansável pesquisador italiano dos fenômenos anímicos e parapsíquicos, aos quais se dedicou cerca de 50 anos, fez da história de Pelley o Caso IV de uma das suas dezenas de monografias: “Xenoglossia - Mediunidade Poliglota”. A Editora da Federação Espírita Brasileira lançou o seu livro, em português, algum tempo após a ocorrência, ou seja, em 1933, no Rio de Janeiro, com esmerada tradução de Guillon Ribeiro.

Crookall. O prolífico cientista, paleobotânico e autor inglês Dr. Robert Crookall, fez do relato de Pelley, o Caso Nº 92, de sua mais significativa obra, The Study and Practice of Astral Projection (“O Estudo e a Prática da Projeção Astral”), editada em Londres, em 1960, e em New York, em 1966. O caso se inclui na seção do livro dedicada à análise das experiências fora do corpo humano de caráter natural, ou seja, não-forçadas.

Hoje. Os fatos sob análise aqui já completaram 7 décadas e agora, já na reta final do Século XX, os fenômenos da Projeciologia - especialmente impulsionados pelas experiências da quase -morte, da Tanatologia ou Dessomática, da Psicologia Transpessoal e das pesquisas dos sonhos lúcidos – em diversos países e através de alentadas pesquisas, desfrutam de profundo interesse por parte de eminentes cientistas em campos diversos, até mesmo interdisciplinares.

Argumentos. As pesquisas das experiências da consciência fora do corpo humano estão, hoje, entre os principais argumentos que mais contribuem para evidenciar de modo indiscutível, cientificamente, as múltiplas dimensões da vida e os múltiplos veículos da consciência.

Liberdade. Acima de tudo, uma ocorrência é, hoje, incontestável: pode-se falar sobre o tema das projeções conscienciais humanas abertamente, até através dos maiores veículos de comunicação de massa da atualidade sem se temer a pecha de louco ou de se cair no ridículo perante públicos de várias categorias.

Fatos. Os fatos continuam falando por si. As 254 fontes bibliográficas sobre projeções conscientes catalogadas pelo Professor Ernesto Bozzano em 5 décadas, passaram para 838 casos minuciosamente analisados pelo Dr. Robert Crookall durante 3 décadas, e chegam agora, segundo os arquivos deste autor, a 5.116 fontes bibliográficas diversas, procedentes de 37 países, em 20 idiomas diferentes, listadas no livro 700 Experimentos da Conscienciologia. Como se observa, a Projeciologia e a Dessomática se desenvolvem agora, a passos firmes. Só ainda não constatou este fato quem vive distante ou desatualizado quanto às frentes de pesquisas científicas internacionais.


* Este texto é de autoria de Waldo Vieira e foi extraído do capítulo 496 do Tratado de Projeciologia (5ª edição; páginas de 964 a 950). *

Este texto traz apenas informações básicas.
Estude! Se aprofunde mais no assunto!
E não acredite em nada. Experimente!

Por Alexandre Pereira.


** Não entendeu alguma palavra? - GLOSSÁRIO.




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